segunda-feira, abril 26, 2010

IMPORTANTE: EDUCATIVO E ESCLARECEDOR: DENNIS L. ROSENFELD

Confesso que ao abrir o jornal tomei um susto com a liberalidade. Que audácia, permitir a alguém publicar um disparate tamanho! Mas felizmente em seguida li o nome do autor e me tranquilizei. E logo na primeira linha do texto de Rosenfeld, a explicação para tão horrendo título sobre tão desprezível personagem.

É artigo para guardar. Apreciem.


Viva Marighella!

por Denis Lerrer Rosenfeld, no O Estado de S.Paulo - 26/04/10

Não se preocupem, não enlouqueci! Para quem quiser compreender o "abril vermelho" do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) é altamente recomendável a leitura da Revista Sem Terra de fevereiro-março deste ano. Na capa, uma manchete para homenagear Marighella como herói nacional, além de elogios à revolução socialista de Chávez e dos irmãos Castro, com críticas veementes ao agronegócio e ao "latifúndio da mídia".

A matéria central versa sobre o sentido de ser, hoje, "marighellista". Para os mais jovens, convém lembrar que Marighella foi um comunista que lutou para implementar o comunismo no Brasil, tendo como modelo a ex-União Soviética. Por discordar da linha do Partido Comunista Brasileiro, contrário à luta armada, fundou a sua própria organização, a Ação Libertadora Nacional (ALN), partindo para o que se denominava, então, de guerrilha urbana. Era um stalinista, e não um partidário da democracia, como os seus partidários procuram apresentá-lo atualmente. Foi morto pelos militares em 1969, tendo o seu projeto sido, dessa maneira, abortado.

Ora, esse indivíduo, com tal curriculum, que mais se assemelha a uma folha corrida, é apresentado pelos invasores do "abril vermelho" como um partidário da democracia. "Marighella não vive no retrato na parede nem nas lembranças que guardamos. Vive nos ensinamentos e atitudes que conformaram nossa herança." O problema reside precisamente aqui, nessa herança que o MST e a CPT procuram resgatar como "nossa", a saber, a herança comunista, socialista, deles, da qual não pretendem abdicar. Ao contrário, procuram nos impô-la, mudando o sentido mesmo das palavras. Os nomes mudaram, porém os significados permanecem. Agora, quando ouvimos falar de "solidariedade" e "justiça", palavras proclamadas pelos ditos movimentos sociais, somos como que compelidos pela simpatia, quando, na verdade, estamos sendo literalmente enganados.

"Carlos Marighella é um herói." Ou ainda: "Importa é que sem mesmo entender os motivos, intuímos que necessitamos do exemplo de nossos heróis. Invocá-los em nossa mística para que possamos sentir sua continuidade, tomar emprestados os seus nomes, as suas palavras de ordem de combate, a sua roupagem." Logo, deveria ser comemorado como um dos nomes mais destacados de nosso país, devendo servir de exemplo para os mais jovens. Na perspectiva do PNDH-3, o esquerdista Plano Nacional dos Direitos Humanos, deveria constar dos livros didáticos, que formariam a cabeça dos nossos jovens. A linguagem política é a mesma. Como ele apregoa o banimento dos símbolos religiosos, eles seriam substituídos por esses novos "símbolos políticos". Segundo a nova doutrina, Estados como São Paulo e Santa Catarina deveriam mudar de nome, por não corresponderem à nova concepção. Talvez pudessem ser chamados Estados Marighella e Lamarca. Os heróis nacionais seriam, então, homenageados adequadamente! Pode parecer brincadeira, infelizmente não o é.

O novo modelo é a Venezuela de Chávez, além da ilha-prisão dos irmãos Castro. Tão paradisíaca que as pessoas procuram dela fugir. Mais vale o preço da liberdade que a realização do socialismo. Mais do que isso, procuram estabelecer uma organização supranacional capaz de levar a cabo esse objetivo. Um dos seus projetos é o da Alba, a aliança chavista. "Diante disso (das tarefas da revolução latino-americana), as políticas da Alba têm como alternativa organizativa fortalecer as bases dos movimentos sociais do continente, fundamentando-se numa política de soberania alimentar, na luta pela reforma agrária, na produção de alimento saudável e agroecológico - ensinada em escolas específicas no Brasil, em Cuba e na Venezuela." Note-se o uso de termos politicamente corretos, como "produção de alimento saudável e agroecológico", tendo como função velar o projeto "bolivariano", "socialista", que é ensinado nas escolas do MST pelo País afora. Eis o destino dos recursos dos contribuintes quando o governo brasileiro financia essas escolas, que são verdadeiras escolas de quadros militantes.

Torna-se, portanto, vital para a consecução desse projeto político controlar as mentes, formar a opinião pública. Eis por que em outro artigo é apregoado o controle "social" dos meios de comunicação, o controle "emessista", "bolivariano", "socialista" dos meios de comunicação, para dizer as coisas claramente. Num artigo de elogio à 1.ª Conferência Nacional de Comunicações, em que pontificaram os mesmos ditos movimentos sociais, que se arvoram em verdadeiros delegados da "sociedade civil", condenação explícita foi feita às empresas de mídia e aos jornais. Para eles, a luta contra o agronegócio, contra a agricultura de mercado, é a mesma que é empreendida contras as empresas de mídia.

"O dilema da mídia é o mesmo dilema que há em outros setores. Então, não há pacto com latifundiário, pois ele nunca vai querer perder o latifúndio, nem de terra, nem de mídia. Porque são empresas de comunicação e, por trás, grupos de empresários e um modelo econômico." Em bom português, trata-se de suprimir a economia de mercado, o direito de propriedade e as liberdades próprias de uma sociedade democrática, em particular a liberdade de imprensa e dos meios de comunicação em geral.

Em editorial, é afirmado que o combate a ser travado é contra os "polos dinâmicos da acumulação capitalista", tendo como alvo, no campo, os seus setores mais "modernos", como os "monocultivos da cana-de-açúcar, eucaliptos e soja". A questão não é o latifúndio, não é a reforma agrária, mas o projeto bolivariano-socialista-comunista. O Brasil está sendo presenteado, neste mês, com mais um "abril vermelho", numa crônica de invasões anunciadas. Crônica de uma impunidade crônica, como se a sociedade brasileira tivesse de conviver com essa forma de violência política. Podemos, assim, compreender melhor o seu significado.

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