segunda-feira, agosto 16, 2004

QUANTO (OU O QUÊ) FALTA?

Essa é a pergunta que não sai da minha cabeça. Quanto (ou o quê) falta para que o Governo Federal pare de se fingir de morto e decida por uma Intervenção Federal no Estado (absolutamente lastimável) do Rio de Janeiro?

Algum medidor deve haver, tenho a esperança. Algum termômetro, algum contador, algum parâmetro deve existir, mencionado em algum manual de governo ou jurisprudência esquecida ou algum sistema de metas. Pois o puro bom senso, esse já foi atropelado faz tempo.

Seres humanos estão morrendo no Rio de Janeiro como se fossem bactérias, vírus, microcriaturas com as quais, na maioria dos casos, ninguém se importa e até se deseja que sejam aniquiladas. Nem mesmo os animais - que hoje, dado o paroxismo reinante, são protegidos por lei e em alguns casos sua morte é punida por sentenças inafiançáveis - estão morrendo tanto e de maneira tão desprezível.

Então, com o que devemos comparar as milhares de vítimas anuais da violência que come solta no Rio? A fungos? Ao bolor? Ou a microorganismos semelhantes, já que para o Governo Estadual elas tem tanto valor quanto um pouco de môfo numa roupa que não se usa senão nos dias próximos às eleições?

Então, que me respondam: quantos milhares mais de cariocas e fluminenses precisarão continuar morrendo vítimas da violência desenfreada que grassa no Estado do Rio seja nos bairros mais nobres, seja nos grotões de miséria dos mais distantes, para que se tome uma atitude de verdade? Quantas crianças ou velhos mais, mortos por balas perdidas, quantas mais professoras ou alunas assassinadas, quantos mais militares ou policiais, quantos pais e filhos mais, quantos mais "o que" precisamos, para que isso seja definitivamente cuidado? O que determinará o ponto de ruptura?

Será necessário que morra algum membro da casta dominante neste país, um político, talvez? Do partido do Governo Federal, o PT, talvez? De expressão nacional, talvez? Ou teria de ser a mãe de algum um desses? Ou um filho? Alguém arrisca a resposta?

O ministro José Dirceu, em visita ao Rio no dia 10 de agosto, teve seus trajetos terrestres traçados cuidadosamente pela Polícia Federal, de modo a não passar por trechos considerados de risco para sua integridade física.

E nós que aqui moramos e trabalhamos e produzimos e pagamos impostos e que para isso trafegamos, circulamos, nos expomos todos os dias do ano por toda esta cidade, este Estado?

Quem vai nos cuidar, proteger, garantir nossas vidas, nosso mínimo direito de sair de casa e ir trabalhar? De viver?

Se já está mais do que claro que o Governo do Estado do Rio de Janeiro está absolutamente descartado como competente para tratar disso, como as estatísticas nefastas dos jornais mostram diariamente - essas terríveis notícias que mais e mais embotam nossa capacidade de reclamar, haja vista seu peso avassalador, e que acabam levando-nos tão-somente a agradecer aos céus que alguma das tragédias ali retratadas não tenha acontecido com alguém que amamos - quanto falta (ou o quê, repito) para que o Governo Federal, sem mais delongas, frescuras legislativóides e tentativas ilógicas e incongruentes de respeitar "direitos humanos" de uma bandidagem formada por animais, passe imediatamente da contemplação distante à ação afirmativa, mandando a atual "Governadora" e seu arremedo de Secretário e marido para bem longe das providências que nunca tomaram nem irão tomar, e assuma o controle da situação emergencialíssima da preservação da vida humana neste Estado da Federação.

É um direito constitucional. E eu só quero saber o quanto (ou o quê) falta.

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